Adoração e dinheiro: O que isso tem a ver com a minha espiritualidade?

Adoração e dinheiro sempre é motivo de discussão quando se trata de assuntos religiosos. Não são poucos os argumentos dos que não estão dispostos a fazerem parte de uma igreja cristã alegando que as igrejas só querem dinheiro.

Mas final, qual o papel do dinheiro na adoração? qual sua real importância? Deveríamos deixar de levar ofertas à igreja e simplesmente adotar uma religião sem dinheiro? Este esboço de sermão vai colocar cada questão em seu devido lugar.

Texto Base: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” Mateus 6:24

Agora vou explicar algumas razões pelas quais o dinheiro é um fator importante na vida religiosa. Você pode utilizar estas ou mais outras, se desejar.

O dinheiro compete com Deus

A primeira e mais óbvia razão para que o dinheiro esteja presente na vida do cristão, é que ele compete com Deus. Não sou eu quem digo, foi o próprio Cristo quem falou. “Não se pode servir a dois senhores,” disse Jesus, e completou: Não se pode servir a Deus e às riquezas.

É claro que as riquezas não são boas nem ruins. Na verdade, elas eram vistas como uma bênção entre o judeus e certamente deveriam ser. Mas as riquezas devem estar a serviço de quem as possui e não o contrário. Lembre-se que tudo que você possui é riqueza.

O carrinho velho, o salário no final do mês, a poupança guardada há anos, tudo é riqueza. Não é só quando é muito que um bem ou valor é uma riqueza. Uma pessoa considerada pobre pode ser escrava da riqueza, pois não se trata de quanto se possui, mas de como a pessoa se relaciona como que possui. Veja que o Apóstolo Paulo adverte que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e não o dinheiro.

A oferta revela gratidão

Levar sua oferta para a igreja é um ato de adoração pessoal assim como o são cantar um hino ou orar. A oferta é uma relação entre o que você possui(uma pessoa pobre não pode levar uma grande oferta) e o quanto você é grato a Deus pelo que possui, assim como a viúva que deu tudo o que tinha. A oferta(e o dízimo) é um ato de alegria tão voluntário quanto as atividades que falei. Ninguém deve persuadi-lo ou dissuadi-lo de ofertar.

Tenho defendido que o dízimo é um ato pessoal e não um imposto(respeito a posição da minha igreja, mas discordo dela veementemente). Isso porque creio que não somos uma teocracia para ter o dízimo como imposto, como o era em Israel. Assim, acredito que a entrega do dízimo é ainda mais nobre para o cristão que para o Israelita, que o fazia por obrigação, enquanto o cristão o faz por gratidão, assim como o fizeram Abrão e Jacó. Leia mais sobre isso aqui.

A oferta é um ato missionário

Conta-se que um certo diácono recolhia as oferta missionárias com muita alegria. Entretanto, havia um “irmão” que dizia abertamente que não dava oferta para quem não conhecia, que poderia ser desviada etc. O diácono, já idoso e experiente na vida cristã, ao passar pelo membro, mandou-lhe recolher parte da oferta. Ao que o irmão olhou bravo e se negou a pegar dinheiro das ofertas, perguntando por que o diácono dera tal sugestão. O idoso diácono respondeu:

– Essa oferta é destinada aos pagãos, e o cristão que não envia ofertas missionárias não passa de um pagão.

Embora se trate de uma parábola, a história poderia ser verdadeira, pois o cerne do cristianismo é a pregação a “todo mundo”(Mateus 28:19-20).

A IASD leva a sério o papel missionário do dinheiro, e várias outras instituições cristãs, mantém obras missionárias em lugares onde ninguém quer estar.

O dinheiro doado também mantém a obra local, o que também é um ato missionário, pois manter um templo custa caro, e ele deve ser um ponto de encontro de crentes e não crentes, quando assim o desejarem.

Em Lucas 8:1-3 é informado que parte da obra missionária de Jesus era mantida por mulheres que entregavam parte dos seus bens aos apóstolos.

O dinheiro deve ser uma bênção

O dinheiro nas mãos de uma pessoa convertida é uma bênção. “Quando fizerdes a um destes pequeninos, é a mim que o fizestes,” disse Jesus.

O cristão que compreende o papel do dinheiro no exercício da bondade é um cristão maduro. A maturidade espiritual revela-se quando o cristão entende que o dinheiro que está sob seu cuidado deve ser transformado em alívio do sofrimento de outrem, independente da fé dessa pessoa, ou do seu “merecimento.”

Abraão recebeu a missão de ser uma bênção, e entre os do seu tempo ele era considerado um príncipe. Sua hospitalidade e generosidade foi revelada no episódio com os anjos.

Assim também aconteceu com Cornélio(Atos 10), cujas esmolas chegaram ao céu. Dorcas também era lembrada pelas suas obras de caridade e assim, o cristianismo deveria ser a religião dos que amam fazer o bem.

Saber usar o dinheiro é necessário

Não se deve amar a riqueza, porém não é pecado ser um bom administrador do que se ganha. Pelo contrário, saber cuidar das rendas é um ato sábio que deve ser exercitado por todos os cristãos.

A parábola dos talentos revela o que Deus espera que façamos com os valores que ele nos dá. Tranquilidade financeira é um ato sábio, e o uso correto das riquezas faz parte dos pilares da mordomia cristã.

Conclusão

Não é simples falar de dinheiro na igreja. Mas devemos levar algumas coisas em consideração: O dinheiro não compra o favor de Deus, e doá-lo deve ser um ato de gratidão.

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