O paradoxo do progressismo iluminista é dizer que as trevas morais podem iluminar o mundo.
O iluminismo surgiu com a proposta de retirar as supostas trevas em que viviam os povos do século XVII. O mais estranho disso, é que a igreja cristã, principal objeto de ódio dos iluministas, vem trocando a luz da verdade bíblica pelas falácias do movimento. Mas o que fazer? Como já escrevi no texto anterior, isso não é novidade, pois não há nada novo debaixo do sol.
Já escrevera jeremias há milênios:
Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor.
Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas. Jeremias 2:12,13
O iluminismo é artificial
Existem algumas coisas que são naturais e outras que são artificiais. Isso vale para tudo o que você tem contato, desde a comida que vai ao seu prato ao pensamento que você defende. O problema é que se você não compreender a raiz da substância formadora de cada coisa, você acaba consumindo o artificial como se fosse o natural e vice-versa. Afinal, todo mundo utiliza pasta de dente sem questionar que até 1850 isso nem existia. Portanto, o risco de não perguntar qual a origem das coisas é engoli-las sem verificar se fazem bem ou mal. Então eu lhes pergunto: Quantos jovens(e não jovens) têm parado para se perguntar por qual razão determinados costumes e práticas são mais ou menos aceitos?
A resposta é que quase ninguém já fez isso. E, ao não fazê-lo, não é apto para entrar numa discussão sobre o porquê das coisas que cercam sua vida, seus hábitos e suas crenças.
Então vamos ao ponto. O Iluminismo é artificial. E é artificial também tudo que derivou desse pensamento, incluindo a sua gema, o progressismo. Deste, veio ainda suas vertentes mais conhecidas, o comunismo, o fascismo e o nazismo.
O oposto do progressismo é o conservadorismo
Se o iluminismo é a substância artificial, então qual é a substância natural? A resposta não deveria ser simples, mas é. O conservadorismo é a substância ideológica natural de toda educação, enquanto o progressismo é o seu oposto, criado como antagônico.
O conservadorismo não foi inventado por um pensador. Esse termo sequer existia até à revolução francesa, que diga-se, também foi artificial, e cujo dano ainda é visto em todas as sociedades. Mais à frente eu quero dissertar sobre o conceito de conservadorismo como célula natural das civilizações, mas agora, prefiro resumir o que é progressismo, e porque essa doutrina trouxe trevas ao planeta em menos de 200 anos.
É importante lembrar que esses pensamentos não podem ser atrelados unicamente às questões políticas, embora tenham sidos absorvidos por estas.
Uma definição de progressismo
Norberto Bobbio, em seu Dicionário de Política define assim o progressismo:
“a ideia de progresso pode ser definida como ideia de que o curso das coisas, especialmente da civilização, conta desde o início com um gradual crescimento do bem-estar ou da felicidade, com uma melhora do indivíduo e da humanidade, constituindo um movimento em direção a um objetivo desejável.”
Se um tolo passasse correndo por uma estrada e visse uma placa com esses dizeres, ele certamente acharia a coisa mais linda que já leu. Entretanto, o progressismo é o que diz ser, um movimento em direção a um objetivo desejável. O problema é que esse objetivo é definido pelo próprio progressismo. Uma vez definido, deve-se agora forçar a sua realização.
Mas qual intrumento teria força para obrigar uma sociedade inteira a seguir determinado curso econômico, político, cultural e religioso? Por dedução, somente o Estado poderia direcionar a sociedade a esse “objetivo” que supostamente deve trazer bem-estar e felicidade ao indivíduo. Entretanto, para se atingir esse objetivo exige-se renúncias nada razoáveis, porque ferem, desde sua raiz, a natureza humana e seus conceitos mais caros.
As renúncias que o progressismo exige
A primeira renúncia que o progressismo impõe é à liberdade de pensamento. Isso porque sua base é uma falácia – a de que as civilizações caminham gradualmente a um objetivo desejável. Mas afinal, qual objetivo deve ser desejável?
A única certeza é que tal objetivo é comum, o que corrobora com a tese anterior de que se deve abrir mão da liberdade individual em nome desse suposto progresso. Sendo esse um objetivo comum, ele deve ser imposto pelo progressista. Ou seja, o tal movimento em direção ao objetivo desejável é a direção ao pensamento do próprio progressista, pensamento único e impositivo.
Entretanto, o progressista sabe que a sociedade não caminhará naturalmente para esse desejo seu. E, sendo assim, a única forma de chegar ao tal objetivo é utilizando ferramentas de repressão e educação através do aparelhamento estatal. Temos aí a falácia primordial do progressismo.
Progressismo e política
De repente, fica fácil entender o interesse religioso dos progressistas por política, religião e educação, no sentido estatal do termo. Pois sabem que somente exercendo tal controle, em todas as instâncias da sociedade, eles alcançarão êxito.
Para você que porventura nasceu dos anos 2000 para cá, é ainda mais difícil identificar o cerne da questão. Isso porque você não precisou ser ensinado sobre progressismo, você é fruto dele.
Já para mim, que nasci no final da década de 1970, é mais libertador observar o que escrevi, uma vez que eu fui doutrinado a ser um progressista. Quem, da minha geração, não foi inundado com textos progresistas? De Bertold Brecht a frases prontas de Paulo Freire sobre consciência crítica e luta de classes, fomos inundados com falácias recheadas de paixão e pseudo-solidariedade.
O progresismo se infiltrou na igreja católica e na mídia
Foi a pastoral da terra, movimento católico atuante no Brasil dos anos 80, que arrumou o terreno para os progressistas chegarem ao poder. Enquanto as oligarquias elitistas ocupavam os cargos deixados pelos militares, nas escolas, éramos embriagados com a doutrina construtivista de Paulo Freire. O postulado do aluno pensante, entretanto, era uma falácia, pois esse aluno só “pensava” o que o professor lhe mandava pensar.
E assim como o gado aprende a ir ao curral sem a ajuda do vaqueiro, o ideal progressista freiriano/marxista ensinou o aluno pensar que era um pensador. Entretanto, esse aluno era apenas um alienado, sem perspectiva de pensamento múltiplo. Qualquer pensamento divergente era taxado de Neoliberal, perverso, opressor e outras palavras vazias, sem necessidade de significação real.
Uma vez formados, caberia a nós, os filhos dessa geração, a última obra do progressismo, que deveria ser a de enterrar de vez o conservadorismo na sociedade, mantendo o discurso de que todas as mudanças eram resultado do curso natural desta.
A mídia televisiva, por sua vez, foi fundamental para a normatização dos ideais progressistas, enquanto os professores, crescidos embriagados na doutrina progressista, transmitiram de forma consciente ou não, as teses do movimento.
Protestantes progresistas
Seguindo o curso natural do processo, as igrejas protestantes foram abraçando, uma a uma, as causas progressitas. As mudanças no modo vestir foram as primeiras visíveis. Depois, vieram o alargamento das restrições morais, e por último as mudanças doutrinárias.
As causas progressitas divisionistas estão tão evidentes na igreja cristã, que até hinos tradicionais têm sido cancelados, sob o pretexto de racismo. Veja estes textos complementares AQUI.
O cristianismo está perdendo o foco na salvação de pessoas e aderindo às pautas progressitas, esquecendo-se que o maior inimigo do iluminsmo e do progressimo é exatamente a religião. As ‘cisternas’ que a igreja pretende usar para acumular água são furadas, e os métodos adotados para evangelismo não bíblicos.
Por mais de um século o progressismo conviveu com o conservadorismo e suas imperfeições. Refutou sistematicamente cada fracasso do ‘modelo conservador’ e ignorou conscientemente seus incontáveis avanços. O objetivo sempre foi utilizar todo maquinário construído pelo modelo natural de sociedade para, em tempo oportuno, subjugá-lo. Como todo pensamento oriundo do iluminismo, a ideia é sempre se apropriar de algo que já está criado e prontamente funcional, para fazer atuar a seu serviço.


