O efeito Judas Iscariotes

O fato de Jesus saber que deveria morrer pelos pecadores, não tornou Judas inocente, como veremos neste post.

Judas Iscariotes passou para a história do cristianismo como o grande traidor, que traiu o seu mestre com um beijo. E o pior, após receber 30 moedas de prata dos líderes religiosos. Apesar de todos os evangelhos o apontarem como um traidor, a cada ano aparece alguma nova teoria favorecendo a atitude de Judas e tentando torná-lo inocente pela sua traição. Afinal, argumentam: se Jesus já seria preso de qualquer forma, a atitude de Judas se tornou irrelevante.

Outra questão que se levanta é que os motivos que levaram Judas a trair o seu mestre foram de alguma forma, nobres. Judas teria compreendido o verdadeiro ministério de Jesus e apenas adiantado o processo. Pelo meno é isso que defende o suposto evangelho de Judas, que mais que apócrifo, é uma afronta aos demais evangelhos.

A teoria defendida no tal evangelho de Judas, afirma que o próprio Jesus o havia encarregado daquela missão, tornando o apóstolo totalmente inocente.

Entretanto, este argumento é totalmente contrário ao que o próprio mestre afirmou sobre aquele que o traísse dizendo que melhor seria que não tivesse nascido.

Mas afinal, o que a atitude de Judas pode nos ensinar como cristãos?

Somos responsáveis por nossos atos

Como já esclareci no meu artigo sobre as ações do faraó e também sobre a possibilidade de perder a salvação, a Bíblia deixa claro que cada ser humano é responsável por suas atitudes. Isso quer dizer que embora possamos estar fazendo parte de um plano maior, cada um responderá pelo que fez individualmente. Ou seja, somos responsáveis inclusive, pelas consequências universais dos nossos atos.

Um exemplo moderno de como isso funciona, são as eleições diretas para políticos diversos.

Muitos cristãos acabam votando em políticos que colocam em suas agendas pautas contrárias aos princípios do cristianismo por razões supostamente sociais. Para justificar, argumentam que suas atitudes não tem importância para os acontecimentos, uma vez que essas pautas seriam defendidas votando elas neles ou não.

Mas não é isso que a Bíblia ensina. Nesse caso, o voto diz muito a respeito das nossas crenças, e as consequencias irão refletir em todos os aspectos da sociedade.

Quando um cristão vota em um político que possui uma agenda pró-aborto, por exemplo, e esse político chega ao poder, esse cristão será diretamente responsável pela morte de cada bebê abortado a partir das leis aprovadas nesse sentido.

Fugir da responsabilidade não isenta a culpa

Não adianta fugir da responsabilidade dizendo que não foi você que corroborou com tal agenda. Isso porque simplesmente transferir a culpa para o sistema, não a torna inocente. Em outros casos, ela simplesmente diz que aquele que expõe a sua hipocrisia deveria ficar calado e deixar de falar de política.

De fato, não sou contra ao Cristão se abster de qualquer movimento político, incluindo a possibilidade de não votar. Porém, a partir do momento em que o cidadão exerce esse direito, ele precisa ter consciência que o seu voto irá interferir em todas as demais pautas comportamentais do país.

Assim como Judas, não adianta simplesmente acreditar que cometeu um erro e tentar oferecer um suposto arrependimento. Pois da mesma forma em que Judas foi avisado das consequências do seu ato, não é diferente quando nos eximimos da responsabilidade de algo que sabemos as consequências.

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