Muitos Cristãos defendem que não existe carne pura e imunda, e que é correto comer qualquer carne, sem qualquer restrição. Argumentam que, dentre outros três ou quatro versículos, além de 1 Coríntios 10:23-25, o Novo Testamento autoriza e até incentiva o consumo de carnes que antes eram consideradas imundas pela própria Bíblia.
Seria esse um posicionamento correto? Existe a possibilidade desses versículos estarem mal interpretados ou falaciosamente interpretados? Escrevo aqui para o inquiridor da verdade. Cabe a você, que ama a verdade, analisar meu texto e decidir por si mesmo se ele é de acordo com a Bíblia. Porém, se você acredita mais em seu pastor que na Bíblia, este texto não serve para você, pois você não tem autonomia para discernir a verdade do erro por si mesmo.
Considerarei aqui um série de pontos acerca do que escrevo, a saber:
1. O texto em questão se refere a carnes puras e imundas?
2. Há outros textos que esclareçam o texto estudado?
3. Os demais textos citados em defesa deste são claros acerca do assunto?
4. Este foi um ensinamento de Jesus Cristo?
Com estas perguntas em mente, vamos tentar esclarecer esta questão.
Carnes imundas no Novo Testamento
O maior erro que um cristão pode cometer é defender que o NT é um rompimento com os escritos da Torá e dos Profetas. Para esclarecer essa ligação basta fazer algumas considerações simples. Vejamos:
Jesus Cristo sempre citou o Velho Testamento, já que não havia ainda um único livro do Novo Testamento escrito. Se Jesus achasse que o VT não tinha mais validade para que cobrar dele autoridade? Exemplos: Mateus 5:17; João 5:39.
O Novo Testamento justifica sua autoridade no Velho Testamento, e nunca como um livro separado deste. O Apóstolo Paulo reafirma sua ligação com a Torá quando confirma que seu ensinamento é baseado na lei e nos profetas. Veja você mesmo em Atos 24:14.
As mudanças que ocorrem nas práticas do NT já estavam previstas no VT, como o fim de sacrifícios de animais e a aceitação dos Gentios sem circuncisão.
Interpretação de 1 Coríntios 10:23-25
“Tudo é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, mas sim o dos outros. Comam de tudo o que se vende no mercado, sem fazer perguntas por causa da consciência, pois “do Senhor é a terra e tudo o que nela existe”
Se tomado isoladamente, o texto autoriza a comer de tudo o que se vende no açougue. Mas seria má fé inferir este texto na defesa de um assunto complexo sem, pelo menos, examinar o contexto. Observe que ao expor os versículos anteriores e posteriores já deixei o texto confuso. Afinal, como comer de tudo, e ao mesmo tempo buscar o bem dos outros e saber que nem tudo é conveniente?
Paulo não está tratando de Carnes puras e imundas e sim, de carnes sacrificadas aos ídolos. O texto que trata do assunto começa no versículo 14 e termina no versículo 33.
Paulo argumenta que, assim como os que participam do altar sacrificam e se tornam parte da adoração ao comer o sacrifício, os que comem carne sacrificada aos ídolos poderiam participar da adoração ao ídolo. V. 18-21
Ao mesmo tempo, Paulo lembra que o ídolo não é nada, e que se, porventura, alguém comer um pedaço de carne sacrificada aos ídolos não se tornará, necessariamente, um adorador de ídolo.
Ao mesmo tempo em que o Apóstolo minimiza a questão em relação ao ídolo, adverte que não é correto comer na casa de alguém que sacrificou a um, chegando a dizer que, se a pessoa informar que assim o foi, o cristão deveria se abster, não por causa do ídolo em si, mas para não escandalizar algum irmão que não compreendesse a inutilidade desses deuses.
Para não escandalizar um irmão mais fraco, o melhor é não comer. (versos 9, 11, 12 e 13)
O assunto é uma retomada de uma pergunta feita já em momento anterior, exatamente no capítulo 8. Aqui, Paulo certamente responde a uma pergunta: “Podemos comer uma carne sacrificada a um ídolo sem se contaminar?”
Paulo começa deixando claro que o ídolo não é nada no mundo(versículo 4), e que ninguém se tornaria imundo por tal conduta, exceto se a pessoa for fraca. (versos 7, 8 e 10)
Este mesmo princípio é retomado no capítulo 10 e concluído. Para Paulo, o cristão deveria comprar sua carne sem perguntar nada(Se foi ou não um sacrifício), mas jamais comer na casa de alguém que oferece uma carne proveniente de sacrifício, simplesmente para não causar escândalo. Por fim, Paulo aconselha que o cristão, ao comer ou fazer qualquer outra coisa, o faça para a glória de Deus. É certo que ninguém pode fazer algo para a glória de Deus desobedecendo uma ordem sua.
Portanto, é falacioso o argumento que diz que coríntios autoriza o consumo de carne imunda, já que sequer se faz referência a isso. Não importa o que se diga. O texto não autoriza esta interpretação.
Conclusão
Os que defendem o consumo de carne imunda ignoram que a dieta Bíblica em relação ao consumo de carnes é anterior ao dilúvio. Pois embora Noé só tenha recebido autorização para comer carne após o evento, ele já fez a seleção de animais limpos e imundo antes de colocá-los na arca. Portanto, não era nenhuma lei judaica cerimonial, e sim uma lei dietética de saúde.
Ignoram também que em Atos 15:19-21, os apóstolos reafirmam parte do texto sobre a lei dietética, embora não se coloque o texto exato sobre carnes imundas. Existem outros textos utilizados fora do contexto pelos defensores da carne imunda, mas que morrem nos mesmos argumentos deste.
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